Um sonho, um desafio e um ato de criação e de liberdade.

Apresentação

São mais de 6500 as obras de arte dos mais diversos tipos e estilos, divididas em duas coleções da autoria de mais de 350 artistas nacionais e estrangeiros.

Este trabalho de décadas é uma reflexão, uma investigação que ganha agora forma física para um dia, como a arte, mudar e transformar-se em algo maior para que todos visitem e reflitam sobre o mundo que os rodeia, guiados pelas mãos dos artistas que conceberam as peças aqui expostas.

O Museus das Causas

O projeto que hoje colocamos em prática, agora, em colaboração e com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, surge na sequência do trabalho de investigação “Paleta Contemporânea – Museu de Causas”, título da tese de doutoramento em Museologia da Faculdade de Letras e Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, que apresentei e defendi, em julho de 2015.

Este projeto académico consiste fundamentalmente na elaboração de um processo que incorpora um acervo de mais de 6500 obras de arte, entre desenho, pintura, escultura e objetos, constituído por duas coleções: uma, de trabalhos de minha autoria, e outra, de peças criadas por mais de 350 artistas nacionais e estrangeiros.
No primeiro caso, a coleção assenta num trabalho intenso, disciplinado, construído ao longo de mais de três décadas de intensa produção artística, onde as obras que concebi, na generalidade de média e grandes dimensões, se centram em três temas fundamentais: o universo feminino, a relação com a literatura e a intervenção social, esta a área em que, nos últimos anos, tenho centrado a minha atividade artística.

A outra coleção, a segunda, é composta por trabalhos de mais de 350 artistas, maioritariamente portugueses, e com os quais, em grande parte, estabeleci laços de afetividade. Entre muitos outros: Ângelo de Sousa, Nadir Afonso, Júlio Resende, Jaime Isidoro, José Rodrigues, Zulmiro de Carvalho, Graça Morais, Fernando Lanhas, Armanda Passos, Albuquerque Mendes, Francisco Laranjo, Baltazar Torres, Mário Cesariny, Armando Alves, António Joaquim, Henrique Silva e Paulo Neves.

É sobretudo uma reflexão, uma investigação incorporada num projeto museológico que, agora — através desta exposição Para a construção do Museu de Causas / Coleções Agostinho Santos  — começa a ganhar forma física e que pretende criar as condições necessárias  para a conservação, exposição e comunicação das coleções, proporcionando um maior acesso e participação dos públicos à criação plástica, à promoção da inclusão social, tornando-se num espaço expositivo, permanente e temporário, que contemple áreas de investigação, conservação, educação e divulgação à luz das perspetivas da museologia contemporânea.

Pretende-se que o Museu de Causas / Coleções Agostinho Santos se assuma como instituição museológica, que se afirme como um verdadeiro centro cultural e se transforme num polo catalisador da arte contemporânea em Portugal, protagonizando o desenvolvimento do processo criativo e das suas potencialidades de intervenção social.

A componente social será, estamos certos, a que mais apela aos problemas e confrontos do mundo contemporâneo, como as injustiças, as guerras, a fome, o desemprego, a degradação dos direitos dos trabalhadores, a corrupção, a fraude fiscal, a sobreposição do poder económico sobre os mais importantes valores da condição humana. Por tudo isto e muito mais, este novo projeto, que se transformará numa espécie de laboratório de ideias, irá promover o debate, a reflexão, o questionamento e continuará a desafiar artistas, mais artistas a abordarem plasticamente estes temas, porque a arte é uma arma.

Cremos que este Museu de Causas / Coleções Agostinho Santos, que hoje dá o seu primeiro passo, seja, na prática, um museu político que, a partir das suas coleções, convoque a comunidade artística para a fazer refletir sobre tão importantes questões, que continuam a afetar a sociedade contemporânea, se faça voz pelos sofredores e daqueles que acreditam numa sociedade civil, política, económica e cultural mais justa, acessível a todos.

Este projeto, esta exposição, este desafio, só poderia ter lugar e nascer em Vila Nova de Gaia, terra da solidariedade, de causas, e também por ser, com muito orgulho para mim, a terra que me viu nascer, onde vivo e trabalho. Também aqui acontece, porque, desde a primeira hora, teve o acordo, o apoio e o incentivo do presidente da Câmara Municipal, professor Doutor Eduardo Vítor Rodrigues, também ele um homem de causas e solidário com as questões sociais que nos preocupam a todos.

Este primeiro ensaio prático do Museu de Causas / Coleções Agostinho Santos, agora em forma de exposição, contempla mais de 70 obras (desenho, pintura e escultura) concebidas por 44 artistas, precisamente o número que corresponde aos anos que tem a revolução de 25 de Abril de 1974. Este dia é, obviamente, muito importante para todos nós, porque a criação é fundamentalmente um ato de liberdade, e este projeto é, além de um sonho, um desafio e um ato de criação e de liberdade.

Localização

Venha visitar-nos no Convento Corpus Christi das 10:00h às 18:00.

Morada: Largo de Aljubarrota 13, 4400-012 Vila Nova de Gaia